Aniversários

5 de setembro de 2021

        Quando é o seu aniversário? O do seu coreógrafo preferido? O da última cia de dança que você assistiu?

Um dos muitos calendários que ficam nas minhas agendas marca os aniversários de pessoas da dança. Gente daqui, gente de muito longe, gente sobre quem eu já escrevi, gente que eu não conheço, gente que não me conhece, gente já falecida… tem de tudo. 

 

A lista surgiu junto com meu site, há quase oito anos, e a ideia era ir organizando possíveis ocasiões pra escrever sobre alguém, ou pra lembrar de divulgar materiais sobre a pessoa. Mas essa estratégia ainda não funcionou de verdade. Mesmo não usando a lista pra nenhuma das coisas que eu originalmente planejei, ela continua ali há anos me servindo de lembrete. Um dia pra eu lembrar aquela pessoa. Aquela coreógrafa, aquele bailarino. E, do ponto de vista de quem trabalha com história da dança, lembrar é sempre importante.

 

A cada povo cabe a lembrança dos seus: dos que agora estão junto, mas também dos que vieram antes, dos que abriram caminhos, dos que se multiplicaram em tantos outros, espalhando histórias, espalhando conhecimento, espalhando entendimento. Ao povo da dança cabe manter avivada a memória da dança.

 

Eu sempre gostei de fazer aniversário. Não tanto pela festa, especificamente, mas pelo sentimento de comemoração. Um dia pra celebrar mais um ano passado, mais um ano que começa. Uma ocasião pra pensar em ciclos, e pra pensar sobre o que você quer fazer. Um dia pra você pensar em você, e pros outros também pensarem em você. E de vez em quando um holofote faz bem.

 

Na minha lista tem gente de quem eu vi duas obras e amei, e nomes históricos incontornáveis em qualquer livro de história da dança. É gostoso ver as coincidências, quem se aproxima de quem, em aniversário. Essa semana foi aniversário do Luis Arrieta e, no dia seguinte, da minha mãe. Um par inesperado, com uma lógica que só existe no meu calendário e na minha cabeça. Mas o aniversário tem um efeito de palpável. Ele faz essas figuras que às vezes eu só vejo nos livros, ou só vejo da plateia se aproximarem da concretude que têm meus amigos e família, e ai eles ganham outro corpo. Um corpo que eu gosto de imaginar com bolo, com festa, bexiga, chapeuzinho e parabéns.

 

A lista precisa aumentar. Tem muito mais gente pra ser lembrada. Talvez ela pudesse realmente servir praqueles objetivos iniciais, ou até ganhar um novo propósito. Como seria contemplar aqui na coluna, por exemplo, os aniversários de gente da dança? Abrir outros espaços pra pensar, ouvir, falar com, e lembrar dessas pessoas…

 

Eu insisto na preocupação com a lembrança. É algo que vai muito além do que a gente sabe, porque não é do campo da informação. Não é o arquivo em algum lugar na cabeça. É algo do tempo presente. É um minuto do meu dia que se torna celebração e agradecimento do outro, simplesmente por ser, por existir ou por ter existido. E, mesmo que a gente não se encontre, não se veja, ou não se fale, fica um desejo, de parabéns e felicidades.

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