O Balé da Cidade na crise do Municipal

30 de maio de 2021

Um pouco sumido e enfrentando crises, o Balé da Cidade está sem direção há 7 meses

Era 2017

No início de 2017, Ismael Ivo assume a direção do BCSP, com um projeto de novos rumos, coreógrafos, e públicos para a companhia. Em Setembro, a gestão do Theatro Municipal passa para o Instituto Odeon, segundo colocado na concorrência pública (a OS ganhadora foi desclassificada por questões de documentação).

 

Pedido (suspenso) de rescisão

Em dezembro de 2018, o Secretário de Cultura André Sturm pede a rescisão do contrato do Odeon. A Folha reportou que o pedido destaca “um grande desacerto na relação entre a FTMSP e o instituto Odeon, ameaçando o interesse público da boa gestão”. Em janeiro de 2019, o novo Secretário, Alê Youssef, suspende o processo de recisão, criando um grupo de trabalho para a avaliação das contas da Odeon.

 

Troca da diretoria da Fundação

Em fevereiro de 2019 a diretora-geral da Fundação Theatro Municipal, Patrícia Maria de Oliveira, renuncia ao cargo. Segundo a Folha, na carta ela acusa a Secretaria de não querer saber das práticas imorais ocorridas no Teatro por conta da atuação do instituto. Nesse mesmo mês, a Folha aponta que os gestores do TMSP moram no RJ e usam verba pública para passagens aéreas e hospedagens para trabalhar em SP.

 

Irregularidade na prestação de contas e interrupção de contrato

Em junho, a prestação de contas do Odeon é reprovada. Em dezembro a prefeitura anuncia interrupção do contrato com a instituição, e mudança do modelo de gestão para uma OS a ser selecionada via edital.

 

BCSP em 2019

Em 2019, o BCSP não anuncia sua temporada anual. Ao longo do ano, a companhia faz só uma estreia, e dança obras do repertório recente.

 

A pandemia em 2020

A companhia consegue se manter sem cortes de salários, ou do quadro de funcionários, durante a pandemia, e participa de algumas transmissões e produções de videos.

 

Acusações de assédio moral

Em agosto de 2020, são feitas acusações de assédio moral contra o diretor Ismael Ivo. Só em abril de 2021, quando Ivo falece, a Folha revela que ele havia sido inocentado ainda em 2020, por um comitê de ética e compliance do Odeon.

 

Edital de Chamamento

Em setembro de 2020 é aberto o edital para “escolha de organização social de cultura qualificada para efetuar a gestão dos objetos culturais vinculados ao Complexo Theatro Municipal”. No mesmo mês, foi feito um pedido de impugnação do edital que, segundo o Estadão, lista problemas da isonomia e impessoalidade no processo. Em outubro o edital é suspenso.

 

BCSP sem direção

No fim de outubro, quando o contrato da Odeon é encerrado, o diretor Ismael Ivo é demitido, e não é recontratado pela Santa Marcelina, que assume a gestão emergencial do Municipal em novembro. Desde então, o BCSP está sem diretor.

 

Comitê temporário

Os compromissos da gestão emergencial incluem uma temporada do BCSP. Para produzir essa temporada, é montado um comitê de bailarinos e equipe da cia, junto de representantes da Santa Marcelina. Em fevereiro de 2021, a temporada é apresentada com duas estreias no Municipal. Na ocasião, a Santa Marcelina oficializa que há um processo seletivo em curso para a nova direção do grupo.

 

Novo edital, e segunda gestão emergencial

O novo edital é publicado em março de 2021, com resultados provisórios publicados em abril, e recursos administrativos em maio. Durante esse processo, se encerrou o contrato emergencial da Santa Marcelina. A Sustenidos Organização Cultural assume a gestão em 1º de maio, também em caráter emergencial, aguardando a homologação do edital.

 

Resultado do chamamento

No 18 de maio é homologado o resultado do chamamento, autorizando a celebração do Contrato de Gestão da Sustenidos (gestora do Projeto Guri e do Conservatório de Tatuí), que teve nota final de 88. O instituto Baccarelli (gestor da Orquestra Sinfônica de Heliópolis) fica em segundo lugar, com nota 83. Em terceiro lugar, a Santa Marcelina, com 60,5 (gestora do Theatro São Pedro e EMESP Tom Jobim).

 

E agora, Balé?

No dia 28 de maio é assinado o contrato da Sustenidos, vigorando até maio de 2026, num valor de R$565 milhões, dando alguma definição para a administração da casa e seus corpos artísticos. O BCSP está em trabalho remoto, sem agenda de apresentações, nem perspectivas de produções. A rotina de trabalho está em jornada reduzida, e focada em aulas de manutenção. Interrogada, a Sustenidos respondeu que em breve anunciará a estrutura e a programação artística. Não comentaram sobre o processo seletivo em curso há meses. O grupo continua sem direção.

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foto: Fabiana Stig

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